01 abril, 2015

CARIOCA

CARIOCA


    Esquina de  Princesa Januária com Senador Eusébio, no Flamengo de hoje, pertinho de minha casa, descobri que no encontro redondo , enorme, das duas ruas havia a CARIOCA.
      Imaginem só, a CARIOCA que nos deu seu nome, filhos que somos do Rio de Janeiro, nossa cidade natal, capital por tantos anos deste vasto país- o nosso BRASIL.
      Antes de nós os índios TUPIS,  aqui se aboletavam em mais de mil tabas, Eram como nossos bairros, de hoje e o mais engraçado é que muitos ainda têm o nome da aldeia tupi.Sim, se cada aldeia era um bairro antes mesmo dos europeus surgirem por aqui já havia uma população de certamente 15 mil a 100 mil habitantes... pois cada aldeia Tupi tinha entre 500 a 3000 índios.Assim nossos bairros de hoje têm mais de 500 anos: Pavuna, Catiú,Irajá,e do outro lado da baia Icaraí....
       Na Praia de Botafogo havia Ocarantim perto da Gloria Tantimã entre os morros de Santa Teresa e de Santo Antonio, Katiuá,Kiriri,Anaraú e Purumurê,
      A mais importante aldeia era   Uruçumirim ao pé do morro da Glória cujo chefe, Aimberê foi o inimigo –general mais temido pelos franceses...Perto do Morro Cara de Cão onde nasceu São Sebastião do Rio de Janeiro  já existiam aldeias comoJapopim e Ura-uassu-ué perto da Praia Vermelha .No Morro da Babilônia, Jaboracyá ,Eyramiri, e Panaucu .
   Havia grandes festas onde fumavam tabaco, levado por Villegagnon para a França para ser o maior inovador dos vícios europeus... Os TUPIS comiam os prisioneiros ,porque eram canibais, e tomavam o cauim feito com mandioca mastigada pelas mulheres e enterrado até o dia da festa para fermentar....





     Mas, voltemos à CARIOCA....Não sabemos a data da construção, nem como era por dentro, com cômodos , poucas janelas.  Sabemos que era enorme revestida de pedra e cal. Quem a construiu? Ignoramos....  O rio Carioca deslizava lindamente perto dela em direção ao mar ali perto do Morro da Viúva, nome  que lhe foi dado durante o segundo Reinado . Antes era o Morro de Leryppe ,um rapaz expulso por Villegagnon por ser calvinista. Foi ele quem redigiu o livro mais bonito,  encantador “-Viagem à Terra do Brasil” que encantou Lévi-Strauss. Este francês amigo dos índios –tupis pode ser considerado  o fundador da nossa Antropologia....
       A CARIOCA, a ITAOCA  A CASA DE PEDRA,O OUTRO, CASA DE BRANCO era grande, e redonda. Com o passar dos anos parte da casa ruiu frente às ressacas da Praia do Flamengo.
Mas ,ao fundar o Rio de Janeiro , Estácio de Sá colocou a CARIOCA como um marco. Os papéis falavam de tantas léguas da direita da CARIOCA, ou tal distância dos fundos da mesma e assim por diante.... Com seu desaparecimento ao longo dos anos ficou um marco com uma pedra escrita- REI. Há quem diga que esta pedra ainda se encontrava na parte posterior da igreja da Santíssima Trindade ,construída dentro do terreno da Embaixada da França e até hoje onde residem padres franceses vindos da Bretanha.... Ao chegarem ainda havia este marco.... Onde foi parar?
      Engraçado aquele lugar ser tão francês até hoje..... Villegagnon  Teve uma Olaria na CARIOCA, e construiu uma torre ao lado.... Na verdade ali se abrigaram franceses e portugueses e certamente muito PAU-BRASIL...
     Mas nascer nesta linda cidade e ainda sermos CARIOCAS é para sorrir três vezes seguidas....

*Maria Cecilia Pires e Albuquerque Penna é jornalista e Vice Chanceler  do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro.

Um comentário:

  1. É sempre bom lembrar das histórias da nossa quatrocentona cidade, ainda mais se bem contada como faz Maria Cecíla. Adorei

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